segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Distante



Ando pelo mundo sem rumo, andando apenas...
Lembro-me de velhas tardes, velhos sorrisos,
Lembro-me do que é velho e passageiro...
Tudo era tão simples, calmo e tão traiçoeiro...
Meu presente vaga em momentos indecisos
Vou andando apenas nestas tardes serenas...

Ando por verdes campos, ando tão distante,
Ando ao longe de tudo e de todos por ruas
Novas... Velhas... Curtas... Vãs... Dóceis... Separadas...
A alma presa nas algemas das madrugadas
Árduas... Vazias... Nuas... E sempre cruas!...
Provando o torpor de uma alma livre e errante...

Que não se prende a nada nem a ninguém! Sempre voa
Sem nada explicar, sem remorso, sem dúvidas!...
Dono de si mesmo, do próprio abandono,
Por noites longínquas em que se perde o sono
No fastio das lembranças de paixões perdidas
Sua horrenda voz no dorido vento me ecoa!...

Yaser

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

O POETA

NÃO HÁ LEGADO A SER DEIXADO,
NADA QUE FAÇA DE VOCÊ, LEITOR,
UM HOMEM MAIS FELIZ,
DELICADO OU SABIDO.

O POETA NÃO VEIO A ISSO,
NÃO ERGUEU PROJETOS
NEM LEVOU O BEM
A QUEM CHOROU DE FOME E DOR.

O POETA NÃO LUTOU NEM POR ELE MESMO,
QUANDO MAIS SEU PEITO URGIA,
QUANDO A SUA PAZ RUIU.

PASSIVO, RODOPIA E ESPIA A VIDA
COMO AS AVES ALTANEIRAS,
AO LONGE.
NAS ASAS, LONGAS E IMAGINÁRIAS,
ABRIGA TUDO E, POR FORÇA DA LEVIANDADE,
ROTULA TUDO.

EM TEMPO:
SONHA ABRIGAR DE TUDO UM POUCO,
SIMULA A DOR DOS DESCONSOLOS,
A DIFUSÃO DA ALEGRIA,
A MACHEZA DAS CONQUISTAS
E O REQUINTE DO DESAPEGO.

POR ISSO, APENAS POR ISSO,
HÁ POEMAS E MAIS POEMAS
DESFIANDO EMOÇÕES DISTINTAS,
COM SEUS DESFECHOS INFALÍVEIS,
TRÁGICOS OU LINDOS.

O POETA É UM BLEFE DA INTELIGÊNCIA SUPERFICIAL
QUE VITIMA OS CORAÇÕES AFLITOS,
SEDENTOS POR CAUSAS E CURAS.

POR ISSO TAMBÉM,
HÁ ALGO DE MÓRBIDO A SE INTERPRETAR.
É A DOR DE NÃO TER SOFRIDO,
DE NÃO SER MOTIVO DE UM BREAK REAL:
UM CORTE, UM AMOR,
OU, SIMPLESMENTE, UMA QUEDA,
SEU MEDO MAIOR.

UM POETA SE RESUME A ISSO.
É UM TRAIDOR INVOLUNTÁRIO,
UM CAFAJESTE ARTICULADO
QUE INEBRIA A TODOS
E SORVE O PRÓPRIO VENENO,
CRENDO QUE A VIDA É FÁCIL
COMO ESCREVER UM PARCO SONETO.

AGORA PERCEBE, LEITOR,
QUE NÃO CABE ANSIAR
POR UM RELES POETA,
QUE NÃO HÁ DIVINDADE OU TALENTO,
QUE AS VERDADES PERDIDAS PASSAM LONGE DALI?

MAS, SE AINDA ASSIM, LEITOR,
VOCÊ QUER INCENSÁ-LO,
QUE SEJA PELA PUREZA E DOÇURA
QUE ELE TANTO OSTENTA,
POIS NÃO HÁ DÚVIDA QUE,
PELO MENOS ISSO,
NAQUELA ALMA PEQUENA,
É GRANDIOSO E VEM DE DEUS.

Yaser

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Traços delicados




Traços delicados



Moça de olhos cândidos, sorrir cintilante,
Dóceis detalhes de uma pele tão sedosa,
Meus olhos tentam compreender tão fascinante
Beleza que em todos detalhes é formosa!...

Lábios cuidadosos e delicados detêm
Os sensíveis fragores da sensualidade
Feminina que a minha alma branda sobrevém...
Admirar-te e sentir o gosto da liberdade

Que se desenha nos teus traços elegantes
Que esconde tesouro grácil e profundo
Dóceis fragores das primaveras galantes
Pétalas do teu suntuoso jardim fecundo

De onde brota sensível beleza admirável
E os versos encontram sentido nos teus traços
Refletem-me como doce aragem amável
Passos se juntam aos passos, ternos acasos...

Surpresas agradáveis formam horizontes
Amenos que quando juntos formam novo céu
De onde caem mansas chuvas que regam as fontes
De tua beleza e alvura que me enterneceu!...

Yaser

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

O velho marujo


O velho marujo

(Homenagem ao Grande Mario Machado Vieira ) que Deus o tenha num bom lugar!

Grande homem, bem feitor digno
Lutou bravamente neste mundo
Deixou dois filhos e esposa!
E uma grande saudade entre os amigos
Sentimos sua falta Papai Marião!

Você, meu grande amigo
Nos ensinou que a vida não é facil
Que devemos lutar bravamente
Pois sem luta não ha vitoria!
Tu es um exemplo para muitos

Formou com dignidade
O carater do teu filho
Moldou um homem responsavel
Meu grande amigo...

Eu vou sempre me lembrar
Do tempo que passamos juntos
Das conversas, das viagens
Do churrasco e da cerveja na Praia

Mas então veio o chamado
Nossas vidas mudaram pra sempre
Você queixou-se de uma mudança
Mas preparado para o fim

As asas passageiras do tempo
Voando através de cada dia
Todas as coisas que eu deveria ter feito
Mas o tempo simplesmente escapou

Lembre-se "Aproveite o dia"
A vida passa num piscar de olhos
Com muito a dizer

Quero que siga em paz meu pai...
Eu vou sentir falta desses dias
Seu espírito conduz minha vida a cada dia

Obrigado pela inspiração
Obrigado pelos sorrisos
Todo o amor incondicional
Que me carregou por milhas
Mas mais do que tudo
Obrigado pela minha vida

Esses foram os melhores dos tempos
Eu vou sentir falta desses dias
Seu espírito conduz minha vida a cada dia

Meu coração está sangrando
Mas eu ficarei bem
Seu espírito guia minha vida cada dia

Yaser

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Ensaio : Nosso Desejo, medo constante, olhar latente

Yaser


O nosso desejo...


Vós sois como um brando mar cheio de vida
Que toca minhas praias com ternura
E com sobeja abundância vertida
De tua agradável brisa que me envolve,
Lindas ondas repletas de ventura,
Sublime desejo em mim se revolve!...

Enche-me de perfume ó flor sagrada,
É chuva que lava... Sol que me abrasa...
Meu inverno... Meu verão... Doce toada...
Terra fértil – sutil fragor e esplendor
Banha-me! Arranha-me! Dê-me tua graça!
Arranca-te este infortúnio pudor!

Voe! Brilhe! Cante! Vem e me enterneça!
Brame de amor! Liberte teu instinto
Ferino e me arranhe dos pés a cabeça!
Amor incondicional – dor passional!
Pele a pele, olho no olho, amor distinto,
Numa face divina noutra carnal!...


O Medo constante...

Dei-te a última e mais bela rosa,
Cerrou-se a boca, fitei meus olhos,
Disse-te o mais triste e doído adeus...
Uma noite de uma lua formosa
Honrosa flor cercada de abrolhos...
...Mistérios latentes dos lábios teus!

Olho no olho, sobejo desvario...
Amor que rouba a razão!... Perdição...
Ascensão... Tardes de verão ameno...
Noturno olhar, vindouro calafrio!...
Olho no olho, perfeita perfeição!
Noites que desejo teu veneno...

...Cada terna gota do veneno...
Rubra rosa no peito gélido,
O último sorriso... Dócil pranto...
Último olhar, o suave aceno,
Gaguejo horrendo, o grito trepido,
O último açoite... Meu fado santo...


Olhar latente

Com o olhar trêmulo ela me olhou
Como que se quisesse chorar
Concentrou a última luz no olhar
Se nada falar sua luz findou...

Um instante, um confuso olhar,
Vergonha, medo – amor, promessa...
Fagulhas da verdade expressa
Findou num dorido lampejar...

Soltou a nau o navio de esperança
Que aquele brando olhar continha
Vã procela e dela provinha
Descrentes tempos de bonança

Que vingava nas fartas terras
De profundos sonhos vindouros
Versos que reúnem tesouros
Valiosos em tristes eras...

Corrói-me!... Mata-me!... Usa-me!...
Mas nunca me deixe padecer
Na espera de quem quer esquecer
O infortúnio olhar infame!...

Yaser

terça-feira, 17 de novembro de 2009

As Paginas de Marte ( O espaço de veludo azul celeste)

As Paginas de Marte ( O espaço de veludo azul celeste)



São historias que ficaram para trás...
Contos, fábulas e lendas
Que não voltam mais
Lugar distante...
Cativa sentimento
Emoção constante.

Nesta terra tão remota
Onde os rios e mares se encontram
Paraíso lúdico, beleza selvagem,
Entre a terra e o mar uma só passagem
Os dias são contados na vastidão do infinito
Beleza que inspira e aflora meu sentidos.

A jovem forma transcende ao esplendor
Livre fêmea que nasceu nesta relva
Diante ao crepúsculo
Na vastidão deste céu purpura
Irradia luz, beleza infinita em seu doce olhar
Me encantas linda mulher .

Mas como em um sonho
Você se foi , sem se despedir
E hoje vivo a sonhar
Quero ir pra longe...quero partir
Vou pra bem longe
Onde vou estar de pé, e não mais cair.

Vivo mais um dia...
Procuro mais uma razão
Para esta triste canção tocar novamente
Palavras e imagens
Cortam o silencio desta noite
As estrelas e a lua velam o céu escuro do Outono.

Caindo entre páginas de Marte em anjos
Sentindo meu coração ser empurrado para o oeste
Vi o futuro vestido como um estranho
Amor em um colete da cor do espaço azul celeste
Agora você se foi e estou tentando aguentar
Aprendendo a engolir a raiva.

Me encontro sozinho cercado de paz
Pensamentos permanecem sem uma resposta
O vento sopra um suave brisa
Ele lentamente vai para longe
Movido por desejo e medo
Quebrando as asas delicadas.

Aquela pedra ...
Que em baixo você estava
Será erguida pelos seus ombros
Uma vez a nuvem que está chovendo
Em cima de sua cabeça desaparece
O barulho que você ouvirá
È o desabar dos anos vazios.

Yaser

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Esquecimento



Caminho por noites repletas de pesares

Caminho clamando por um minuto de sono
Juntam-se a mim milhares de vazios olhares
Como eu, provando a torpeza do abandono

Deixa-me somente me abrandar no teu fulgor
Que vós deixais neste meu caminho infortúnio
De pés descalços sobre os espinhos de uma flor
Caminho nestas noites provando do exílio

De morrer nos teus lábios, no olhar, no sorriso
Sim! Peno no teu desprezo, no teu silêncio...
Com o olhar num relógio de tempo impreciso
Soa luz!... Soa trevas!... E o coração desvario...

De névoa se cobre esta noite como um manto
Sobre as fontes em que lhe conserva
va intacta...
Vai caindo lenta no esquecimento santo
Lágrimas que vão rumando para a cascata


Do poço das amarguras onde hão de jazer
Num profundo imponente silêncio divinal,
Santo tormento! Santa saudade! Vão sofrer!
Lembrar do seu olhar do seu sorriso matinal...

Yaser